quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

"ABRACE OS DESAFIOS COM ÂNIMO E ESTEJA SEMPRE DISPOSTO A LUTAR! SIGA EM FRENTE E PARA FRENTE, SEMPRE! ACREDITANDO EM VOCÊ, EM SEU POTENCIAL"

                             FOTO DO AUTOR DO BLOG: LEANDRO SOUZA EM ALAGOAS

sábado, 26 de abril de 2014

CÃO SEM PLUMAS



Cão sem Plumas
(João C. de Melo Neto)





(Paisagem do Capibaribe)
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O Rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
Abre-se em flores
pobres e negras
como negros.
Abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros.
Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.
Liso como o ventre
de uma cadela fecunda,
o rio cresce
sem nunca explodir.
Tem, o rio,
um parto fluente e invertebrado
como o de uma cadela.
E jamais o vi ferver
(como ferve
o pão que fermenta).
Em silêncio,
o rio carrega sua fecundidade pobre,
grávido de terra negra.
Em silêncio se dá:
em capas de terra negra.
em botinas ou luvas de terra negra
para o pé ou a mão
que mergulha.
Como às vezes
passa com os cães,
parecia o rio estagnar-se.
Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas
densas e mornas
de uma cobra.
Ele tinha algo, então,
da estagnação de um louco.
Algo da estagnação
do hospital, da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.
Algo da estagnação
dos palácios cariados,
comidos
de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação
das árvores obesas
pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.
(É nelas,
mas de costas para o rio,
que “as grandes famílias espirituais” da cidade
chocam os ovos gordos
de sua prosa.
Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões
de preguiça viscosa.)
Seria a água daquele rio
fruta de alguma árvore?
Por que parecia aquela
uma água madura?
Por que sobre ela, sempre,
como que iam pousar moscas?
Aquele rio
saltou alegre em alguma parte?
Foi canção ou fonte
em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul
nos mapas?
II
(Paisagem do Capibaribe)
Entre a paisagem
o rio fluía
como uma espada de líquido espesso.
como um cão
humilde e espesso.
Entre a paisagem
(fluía)
de homens plantados na lama;
de casas de lama
plantadas em ilhas
coaguladas na lama;
paisagem de anfíbios
de lama e lama.
Como o rio
aqueles homens
são como cães sem plumas
(um cão sem plumas
é mais
que um cão saqueado;
é mais
que um cão assassinado.
Um cão sem plumas
é quando uma árvore sem voz.
É quando de um pássaro
suas raízes no ar.
É quando a alguma coisa
roem tão fundo
até o que não tem).
O rio sabia
daqueles homens sem plumas.
Sabia
de suas barbas expostas,
de seu doloroso cabelo
de camarão e estopa.
Ele sabia também
dos grandes galpões da beira do cais
(onde tudo
é uma imensa porta
sem portas)
escancarados 
aos horizontes que cheiram a gasolina.
E sabia
da magra cidade de rolha,
onde homens ossudos,
onde pontes, sobrados ossudos
(vão todos
vestidos de brim)
secam
até sua mais funda caliça.
Mas ele conhecia melhor
os homens sem pluma.
Estes
secam
ainda mais além
de sua caliça extrema;
ainda mais além
de sua palha;
mais além
da palha de seu chapéu;
mais além
até
da camisa que não têm;
muito mais além do nome
mesmo escrito na folha
do papel mais seco.
Porque é na água do rio
que eles se perdem
(lentamente
e sem dente).
Ali se perdem
(como uma agulha não se perde).
Ali se perdem
(como um relógio não se quebra).
Ali se perdem
como um espelho não se quebra.
Ali se perdem
como se perde a água derramada:
sem o dente seco
com que de repente
num homem se rompe
o fio de homem.
Na água do rio,
lentamente,
se vão perdendo
em lama; numa lama
que pouco a pouco
também não pode falar:
que pouco a pouco
ganha os gestos defuntos
da lama;
o sangue de goma,
o olho paralítico
da lama.
Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.
Difícil é saber
se aquele homem
já não está
mais aquém do homem;
mais aquém do homem
ao menos capaz de roer
os ossos do ofício;
capaz de sangrar
na praça;
capaz de gritar
se a moenda lhe mastiga o braço;
capaz
de ter a vida mastigada
e não apenas
dissolvida
(naquela água macia
que amolece seus ossos
como amoleceu as pedras).
III
(Fábula do Capibaribe)
A cidade é fecundada
por aquela espada
que se derrama,
por aquela
úmida gengiva de espada.
No extremo do rio
o mar se estendia,
como camisa ou lençol,
sobre seus esqueletos
de areia lavada.
(Como o rio era um cachorro,
o mar podia ser uma bandeira
azul e branca
desdobrada
no extremo do curso
– ou do mastro – do rio.
Uma bandeira
que tivesse dentes:
que o mar está sempre
com seus dentes e seu sabão
roendo suas praias.
Uma bandeira
que tivesse dentes:
como um poeta puro
polindo esqueletos,
como um roedor puro,
um polícia puro
elaborando esqueletos,
o mar,
com afã,
está sempre outra vez lavando
seu puro esqueleto de areia.
O mar e seu incenso,
o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago
que come e se come,
o mar e sua carne
vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado
à custa de sempre dizer
a mesma coisa,
o mar e seu tão puro
professor de geometria.)
O rio teme aquele mar
como um cachorro
teme uma porta entretanto aberta,
como um mendigo,
a igreja aparentemente aberta.
Primeiro,
o mar devolve o rio.
Fecha o mar ao rio
seus brancos lençóis.
O mar se fecha
a tudo o que no rio
são flores de terra,
imagem de cão ou mendigo.
Depois,
o mar invade o rio.
Quer
o mar
destruir no rio
suas flores de terra inchada,
tudo o que nessa terra
pode crescer e explodir,
como uma ilha,
uma fruta.
Mas antes de ir ao mar
o rio se detém
em mangues de água parada.
Junta-se o rio
a outros rios
numa laguna, em pântanos
onde, fria, a vida ferve.
Junta-se o rio
a outros rios.
Juntos,
todos os rios
preparam sua luta
de água parada,
sua luta
de fruta parada.
(Como o rio era um cachorro,
como o mar era uma bandeira,
aqueles mangues
são uma enorme fruta:
A mesma máquina
paciente e útil
de uma fruta;
a mesma força
invencível e anônima
de uma fruta
– trabalhando ainda seu açúcar
depois de cortada – .
Como gota a gota
até o açúcar,
gota a gota
até as coroas de terra;
como gota a gota
até uma nova planta,
gota a gota
até as ilhas súbitas
aflorando alegres.)
IV
(Discurso do Capibaribe)
Aquele rio
está na memória
como um cão vivo
dentro de uma sala.
Como um cão vivo
dentro de um bolso.
Como um cão vivo
debaixo dos lençóis,
debaixo da camisa,
da pele.
Um cão, porque vive,
é agudo.
O que vive
não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
porque vive,
choca com o que vive.
Viver
é ir entre o que vive.
O que vive
incomoda de vida
o silêncio, o sono, o corpo
que sonhou cortar-se
roupas de nuvens.
O que vive choca,
tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
como um cão, um homem,
como aquele rio.
Como todo o real
é espesso.
Aquele rio
é espesso e real.
Como uma maçã
é espessa.
Como um cachorro
é mais espesso do que uma maçã.
Como é mais espesso
o sangue do cachorro
do que o próprio cachorro.
Como é mais espesso
um homem
do que o sangue de um cachorro.
Como é muito mais espesso
o sangue de um homem
do que o sonho de um homem.
Espesso
como uma maçã é espessa.
Como uma maçã
é muito mais espessa
se um homem a come
do que se um homem a vê.
Como é ainda mais espessa
se a fome a come.
Como é ainda muito mais espessa
se não a pode comer
a fome que a vê.
Aquele rio
é espesso
como o real mais espesso.
Espesso
por sua paisagem espessa,
onde a fome
estende seus batalhões de secretas
e íntimas formigas.
E espesso
por sua fábula espessa;
pelo fluir
de suas geleias de terra;
ao parir
suas ilhas negras de terra.
Porque é muito mais espessa
a vida que se desdobra
em mais vida,
como uma fruta
é mais espessa
que sua flor;
como a árvore
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc. etc.
Espesso,
porque é mais espessa
a vida que se luta
cada dia,
o dia que se adquire
cada dia
(como uma ave
que vai cada segundo
conquistando seu vôo).(3)

Professor: Leandro Souza

























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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ESPELHO (CECÍLIA MEIRELES)


O MENINO AZUL

O Menino Azul


O menino quer um burrinho

para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho

que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho

que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo

que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,

pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)





quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

UM FELIZ ANO 2013 PARA TODOS!!!

UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS! REPLETO DE BENÇÕES E MUITA LUZ EM SUAS VIDAS. MUITA ALEGRIA, AMOR, PAZ, SAÚDE E MUITO MAIS. SOMOS CAPAZES DE SER TUDO O QUE QUEREMOS E QUE EM 2013 SEJAMOS TUDO O QUE SEMPRE SONHAMOS SER! SEJAMOS PESSOAS MELHORES DE TAL FORMA QUE O EU DE AMANHÃ POSSA OLHAR PARA TRÁS E SENTIR ORGULHO DO SER HUMANO QUE ERA, É E SEMPRE SERÁ!




LOGO, LOGO NOVAS POSTAGENS! AGUARDEM!!!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Os Verdadeiros Amigos


OS VERDADEIROS AMIGOS

"Um homem, seu cavalo e seu cão, caminhavam por uma estrada". Depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que ele, seu cavalo e seu cão haviam morrido num acidente. Às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição...A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água. Numa curva do caminho, eles avistaram um portão todo magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro, no centro da qual havia uma fonte de onde jorrava água cristalina. O caminhante dirigiu-se ao homem que numa guarita, guardava a entrada. Bom dia, ele disse. Bom dia, respondeu o homem. Que lugar é este, tão lindo? Ele perguntou. Isto aqui é o céu, foi a resposta. Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede, disse o homem. O senhor pode entrar e beber água à vontade, disse o guarda, indicando-lhe a fonte. Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede. Lamento muito, disse o guarda.* Aqui não se permite a entrada de animais. O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande. Mas ele não beberia, deixando seus amigos com sede. Assim, prosseguiu seu caminho. Depois de muito caminharem morro acima, com sede e cansaço multiplicados, ele chegou a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha semi aberta. A porteira se abria para um caminho de terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra. À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, parecia que estava dormindo: Bom dia, disse o caminhante. Bom dia, disse o homem. Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro. Há uma fonte naquelas pedras, disse o homem e indicando o lugar. Podem beber à vontade. O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede. Muito obrigado, ele disse ao sair. Voltem quando quiserem *, respondeu o homem. A propósito, disse o caminhante, qual é o nome deste  lugar? Céu, respondeu o homem. Céu? Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore disse que lá era o céu! Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno. O caminhante ficou perplexo. Mas então, disse ele, essa informação falsa deve causar grandes confusões. De forma alguma, respondeu o homem. Na verdade, eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar até seus melhores amigos... "Engraçado como é simples falar mal de Deus e depois imaginar porque o mundo esta indo tão mal". Engraçado como acreditamos em tudo que o jornal diz. Engraçado como todos querem ir para o céu. Ou será que é assustador? Engraçado como alguém pode dizer: "Eu creio em Deus". Mas ainda seguir sua vida mediocremente... Engraçado como você pode mandar mil piadas por e-mail e elas se espalham como fogo. Mas quando você começa a enviar mensagens de reflexões, as pessoas pensam duas vezes antes de partilhar. Engraçado como o sexismo, a crueldade, a vulgaridade e a obscenidade transitam livremente pelo espaço cibernético, mas uma discussão publica sobre a transformação do ser humano é suprimida da escola e do local de trabalho. Engraçado, não? Engraçado como você irá encaminhar essa mensagem. Você não irá mandá-la para muitos em sua lista de endereços, porque você não está certo sobre o que eles acreditam ou o que irão pensar de você por ter mandado isso a eles. Engraçado como posso me preocupar mais com o que pensam de mim do que com o que Deus pensa de mim. Você está pensando? Lá no longínquo Oriente vivia um grande mestre, já idoso. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.Certa tarde, um guerreiro apareceu e começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto , o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato do mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós? O mestre respondeu: Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos. O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos, disse o mestre: Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você.As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir... Certa vez alguém chegou no céu e pediu pra falar com Deus porque, segundo o seu ponto de vista, havia uma coisa na criação que não tinha nenhum sentido... Deus o atendeu de imediato, curioso por saber qual era a falha que havia na Criação.- Senhor Deus, sua criação é muito bonita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser... mas no meu ponto de vista, tem uma coisa que não serve para nada - disse aquela pessoa para Deus. - E que coisa é essa que não serve para nada? - perguntou Deus. - É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direção ao horizonte, ele se afasta um passo de mim. Se caminho dez passos, ele se afasta outros dez passos. Se caminho quilômetros em direção ao horizonte, ele se afasta os mesmos quilômetros de mim... Isso não faz sentido!  O horizonte não serve pra nada. Deus olhou para aquela pessoa, sorriu e disse: - Mas é justamente para isso que serve o horizonte... "para fazê-lo caminhar.


Os 3 Conselhos


OS   TRÊS   CONSELHOS

Um casal de jovens recém casados era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior. Um dia, o marido fez a seguinte proposta à esposa: “Querida, eu vou sair de casa e vou viajar para bem distante, vou arrumar um emprego e trabalhar até que eu tenha condições de voltar e dar a você uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe de casa, só peço uma coisa: que você me espere e, enquanto eu estiver fora, seja fiel a mim que eu serei fiel a você. Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudar em sua fazenda. Ele se ofereceu para trabalhar, e foi aceito. Sendo assim, pediu para fazer um pacto com o patrão e este aceitou. Ele disse: “Patrão, eu peço só uma coisa para o senhor. Deixe-me trabalhar pelo tempo que eu quiser e, quando eu achar que eu devo ir embora, o Senhor me dispensa das minhas obrigações. Eu não quero receber logo o meu salário, peço que o Senhor o coloque na poupança até o dia em que eu sair daqui. No dia em que eu sair, o senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho”. Tudo combinado, aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos ele chegou para o seu patrão e lhe disse: “Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa”. O patrão então lhe disse: ”Tudo bem, nos fizemos um pacto e eu vou cumprir, só que antes eu quero lhe fazer uma proposta, tudo bem?” E o jovem disse que poderia fazê-la. O patrão lhe disse: “Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro, eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos, eu não lhe dou o dinheiro. Vai pro seu quarto, pensa durante a noite e depois você vem e me dá a resposta”. O rapaz pensou durante dois dias e depois procurou o patrão e lhe disse: “Patrão eu quero os três conselhos”. O patrão lhe disse: “Se eu lhe der os conselhos, eu não lhe dou o dinheiro”. E o jovem lhe disse: “Eu quero os conselhos”. O patrão então lhe falou:
01) Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida.
02) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade pro mal pode ser mortal. 03) Nunca tome decisões em momentos de ódio e de dor, pois você se pode arrepender e ser tarde demais.
Após dar os três conselhos o patrão disse ao rapaz que já não era tão jovem assim: “Rapaz, aqui você tem três pães, dois são para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com a sua esposa, quando chegar em sua casa”. O rapaz saiu para seguir o seu caminho de volta para casa, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava. Andou durante o primeiro dia e encontrou um viajante que o cumprimentou e lhe perguntou: “Pra onde você vai?” Ele respondeu:  “Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada”. O viajante lhe disse: “Rapaz, esse caminho é muito longo, eu conheço um atalho e você vai chegar em  poucos dias. O rapaz ficou contente e começou a seguir pelo atalho, quando se lembrou do primeiro conselho do seu patrão:
01) Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais  curtos e desconhecidos podem custar a sua vida; então voltou e seguiu o seu  caminho. Dias depois ele soube que aquilo era uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, achou uma pensão na beira da estrada onde pôde hospedar-se. Pagou a diária e, após tomar um banho, deitou-se para dormir. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho:
02) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade pro mal pode ser mortal; Voltou, deitou-se e dormiu. Ao amanhecer, apos tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido. O hospedeiro disse: “E você não ficou curioso?” Ele disse que não. Então o hospedeiro lhe falou: “Você foi o único que saiu vivo daqui, pois eu sou louco e grito durante a noite e, quando o hóspede sai eu o mato”, e lhe mostrou vários cadáveres. O rapaz seguiu a sua longa caminhada, ansioso por chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada, já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça da sua casinha, andou e logo viu  entre os arbustos a silhueta da sua esposa. O dia estava escurecendo, mas ele pode ver que a sua esposa não estava só. Andou mais um pouco e viu  que a sua esposa tinha, sentado em seu colo, um homem a quem ela estava acariciando os cabelos. Quando ele viu aquela cena o seu coração se derreteu de ódio e amargura e ele decidiu correr ao encontro aos dois e a matá-los sem piedade. Respirou fundo e apressou os passos, quando se lembrou do terceiro conselho:
03) Nunca tome decisões em momentos de ódio e de dor, pois você se pode arrepender e ser tarde demais.
Então ele parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte ele tomaria uma decisão. Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse: “Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes eu quero dizer para a minha esposa que eu fui fiel a ela”. Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e reconhece que é o seu marido, ela se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la,mas não consegue. Então com lágrimas ele lhe diz: “Eu fui fiel a você e você me traiu”. Ela espantada lhe respondeu: “Como? Eu não o traí, antes o esperei durante esses vinte anos”. Ele lhe perguntou: “E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?” E ela lhe disse: “Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora eu descobri que estava grávida e hoje ele está com vinte anos de idade”. Então o marido entrou, conheceu e abraçou seu filho, contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café e, então, se sentaram para tomar o café e comer o último pão. Após a oração de agradecimento e lágrimas de emoção ele parte o pão, e ao parti-lo, ali estava todo o seu dinheiro!