quinta-feira, 26 de abril de 2012

Poesias de Leandro Souza


Canto

Eu canto minhas dores no tocar de meu saber.
Canto o que só eu sei, e o que ninguém mais vê.
As amarguras de minha alma, os desejos de meu ser;
Canto o que agora é, e o que já se passou.
Choro o que ainda há por vir... Canto o vento efêmero que sou.
(Leandro Souza)


Retrato

Num futuro não muito distante,
Tão concreto e tão abstrato,
Não serei mais eu matéria viva, retrato.

Um fato já consumado;
Uma imagem pregada na parede.

Uma vida já antes vivida,
Serei apenas lembrança.
E, para os que ainda almejarem rever-me, esperança.

Um vento suave no rosto;
 Caminhos já percorridos.

Uma garrafa de vinho vazia,
Um gosto nunca mais sentido,
Um coração sem pulsações, abatido.

Um perfume que já não cheira;
Uma dor que não mais se sente...

... assim um dia serei eu, retrato, SOMENTE!
(Leandro Souza)


Amar

Êita sentimento complicado esse de amar
Que consome o coração e corroe a alma
Nos leva para outro mundo, de incertezas, tristezas, um mar que nunca acalma.
Se apaixonar é prender-se ao outro, morrer no outro, viver de outro.
É uma noite que não termina, sentimento nebuloso, céu sombrio de sol fugido.
Amar é procurar um refugio não existente, é viver carente, é não sair da mente, é morrer de repente.
(Leandro Souza)

Busca

Num mundo cheio de mistérios, onde a dúvida e a incompreensão reinam,
Cá estou eu preso no sentimento de existir.
Que gaiola maldita essa da existência, me sinto em plena demência, na burrice de estar aqui.
Minha alma inconstante, inquieta e insaciável; rola de um canto a outro na cama do imperguntável.
Os olhos abrem na busca de respostas, numa insônia interminável. Num talvez imaginário, de um corpo saturado, de alma enamorada numa busca do impossível.
(Leandro Souza)

Partida

Nunca mais tive inspiração em ti.
Não sinto mais aquele fogo de antes.
Não és mais a mesma, ou eu mudei?
Nossas linhas foram interrompidas;
Teu canto não mais me agrada;
A colheita acabou, é hora da partida.
Deixar os campos estéreis sem vida.
(Leandro Souza)


Despedida

Um dia a gente parte e nem mesmo diz adeus.
Vai-se para o desconhecido, sem a presença dos seus.
A chama da vida se extingue, morre todos os EUS.
Meu rosto oscila nas lembranças passadas, caminhos já antes meus.
(Leandro Souza)



Foto de: Leandro Souza






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